Cantora gaúcha gravou no Recife com músicos da Spokfrevo

Enquanto pernambucanos procuram São Paulo em busca do novo, e de um lugar ao sol, a gaúcha Laura Finocchiaro, desde o começo dos aos 80 em São Paulo, procura o sol de Pernambuco para gravar o sexto disco de uma carreira iniciada no início dos anos 80. Ela não procurou se inserir na cena pop local, nem foi em busca de mestres da cultura popular: “Spok ouviu minhas músicas e aprovou. Spok amou, mas não tinha tempo pra produzir e indicou Renatinho, que é arranjador, alem de um dos maiores instrumentistas da viola, guitarra do Brasil. Ele, por sua vez, chamou os feras, Augusto (Silva), na bateria e percussão, Braulio (Araújo), no baixo, Júlio Cesar, o sanfoneiro, um menino mestre,e e a ilustríssima participação de Lucas dos Prazeres, pandeiro, e por fim, o maestro Spok. A mixagem foi feita por outro fera de Recife, Fernando Azul.Decidi gravar, mixar e produzir no Recife para ter o som de raiz, autentico, puro, orgânico”, explica a cantora, acrescentando que optou por realizar as diversas fases do disco aqui para não “Laurear” o resultado final do projeto

O álbum recebeu um título irônico Copy Paste. O ato comum de copiar/colou do computador: “Copy Paste nasceu da percepção deste mundo banalizado, globalizado, onde tudo é cópia e cola. Um mundo comandado pelos conglomerados econômicos e políticos. Onde todos jogam o mesmo jogo. Iludidos por um mundo comercializado e vazios, sinto todo mundo iludido, atrás de sucesso. Um pensamento muito egoísta, em pleno caos mundial, com questões globais muito mais importantes. Não consigo mais escrever ou fazer um som por fazer, pelo meu ego”, desabafa Laura. que compara o disco como se invertesse a rota do parceiro Tom Zé: “Ele faz a música nordestina com a influência de São Paulo. Eu vim de São Paulo fazer minha música com influência nordestina”.

Todas oito faixas de Copy paste (com um “música orgânica”, de lembrete no título) são assinada por Laura Finocchiaro, duas delas com parceiro. Cirandar, com o jornalista pernambucano João Luiz Vieira e Leca Machado, e Olinda (um frevo de bloco), com o produtor Renato Bandeira. e o citado João Luiz Vieira). Comentando o resultado final do disco, gravado em dois dias de abril ril do ano passado, no Estúdio Music, em Casa Amarela: “Parece milagre! Nem sei como, mas deu tudo certo e foi rápido”, espanta-se a cantora.

Curiosa esta capacidade de ainda se surpreender. Embora integre uma espécie de bloco do eu sozinho na música paulistana, Laura Finocchiaro ostenta um extenso currículo em trilhas para novelas, programas de TV em geral, teatro. Uma hiperatividade que a levou a ser uma da protagonistas do documentário sobre o lendário Lira Paulistana, teatro e selo de discos de São Paulo: “O doc termina com um depoimento meu, viro estrela. Os artistas paulistas ficaram putos porque o doc finaliza comigo, uma gaúcha. Soube dos comentários e fiquei pasma.Como os artistas se perdem em seus egos! Mas o que importa é que fiz e estou na historia.

Disco

Copy paste é um disco pernambucano como poucos pernambucanos tem feito (fotos da também pernambucana Roberta Gumarães) A música que abre o repertório, e dá ao nome ao álbum, é um baião, introduzido por um ponteiro da viola de Renato Bandeira. Segue com outro baião, e uma ciranda, mais um baião, um arrasta-pé, um frevo, mais uma ciranda, Pandeiro de prata, com o sax de Spok, fecha com mais uma baião, aberto com um diálogo do baixo de Braulio é a viola de Renatinho. Se a música é pernambucana da gema, as letras têm inspiração na megalópole paulistana, feito em Cirandar, que descreve o dia a ia na periferia: “Minha palhoça na beira do rio/ não tem banho, não tem água/só um quatro pra dormir/quatro por quatro, com antena parabólica/com luz e com TV/um radinho MP3/ o marido/que está desempregado/e que luto pra cuida

 

Fonte: JC Online

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